segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Praça

segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Foi de manhã. Em praça pública. Sem pudor das chuvas que despencariam dos meus olhos. E quando ele disse, parte de mim foi enterrada ali. Chorei amargamente em meu velório. Sem direito a coroa de flores. 
Meus restos prosseguiram e em praça pública, se aliançaram, mais uma vez, ao causador daquelas enchentes dos meus olhos de outrora... 
É temeroso. Perigoso. Mas, o que não é?
O meu instante agora é composto por fragmentos do que se foi e do que será.
Sem maiores explicações e razões, o corte lateral da realidade que vejo, às vezes me apavora. Esta praça pública, na qual estou sentada agora a escrever, é o meu refúgio e incoerentemente o inimigo que, sem piedade mexe em minhas feridas. Faz-me ruínas e dá-me repouso. Faz-me vítima e assassina.



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quem sou

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Sou um fato? Um dado estatístico? Um número? Uma formiga na multidão? Uma parte? Uma peça? Sou uma idade? Uma profissão? Sou uma poesia? Individual? Um? Coletivo? Todo? Sou uma folha em meio à correnteza? Uma gota que insiste em ser folha? 

(sem respostas.)





domingo, 19 de setembro de 2010

Papel e Alma

domingo, 19 de setembro de 2010
E quando ele estava prestes a ir, como última súplica para fazê-lo ficar, comecei a rasgar, desprezando todo o esforço, quase sobrenatural, os escritos que vinha fazendo. E, tudo que eu tinha escrito era misturado com o segredo. Não tinha dito a ninguém, vivia aqueles escritos sozinha, como se na verdade, eu estivesse me escrevendo, em oferenda a ele. Mesmo assim, ele se foi... Restaram-me papéis picados. Parte de mim foi estraçalhada ali. Em papel e Alma.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Coração

quinta-feira, 16 de setembro de 2010
...E o coração dela é tão grande que deseja abraçar o mundo,
E tão pequeno que não cabe ninguém ...





sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ir

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Se meu copo se encher e se esvaziar mais uma vez, pode ser que nunca mais conseguirei retornar. 
Às vezes a covardia se vê obrigada a se tornar coragem, por intermédio de elementos externos.
Uma coisa que alimenta a minha covardia por mais incoerente que possa parecer, é a visão irreversível da liberdade. Uma vez livre não mais terei as grades de ferro como alicerce para o teto da minha gaiola.
A gaiola é a segurança, é a certeza de não estar só, uma vez que haja alguém que me prendeu. (Ainda que tal alguém já se tenha ido).
E é o caminho sem volta, sem teto, sem grades que me amedronta, pois sei que, é eminente e possível. Há possibilidades para minha genuína coragem.
Enquanto ainda consigo, ou tento, explicar a minha covardia é sinal que a coragem se enfraquece, e estarei pedindo para manter-me presa. Mas, se o garçom não olhar nos meus olhos, não recusarei o próximo copo, e em silêncio, sem explicar, eu vou...


domingo, 5 de setembro de 2010

Mudez

domingo, 5 de setembro de 2010
Existem certas coisas que nunca direi. Nem em cartas. Nem em artes. Muito menos em Blogs. Não falarei a absolutamente a ninguém no Universo. Não direi nem sequer a mim. É que tenho a sensação de que respiro alguns segredos...
No entanto, acho que eu ainda não entenderia estes mistérios mentalmente.
O jeito é continuar muda e respirando. 




quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Estranho

quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Um sentimento estranho.
A serenidade que outrora me embriagava, como por abdução extirpou-se.
O convergente divergiu-se.
A lua perdeu espaço para outros pontos brilhantes.
Por vezes, o sonho sente-se intimidado.
Mas, é forte.
Vivo.
Talvez, por isso sangre tanto. 





quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Muito e Pouco. Máximo e Mínimo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Confesso que quando ele se foi, qualquer piscar de olhos dele em minha direção, já era o bastante. Era precioso. Muito. 
É que até o mínimo é máximo para alguém que, repentinamente, se viu prestes a falecer. Frente a frente com o não-amor.
Naquele instante, embora almejasse pelo muito, só suportava o menos (e aos poucos)...




terça-feira, 6 de julho de 2010

Crise

terça-feira, 6 de julho de 2010


PARE O MUNDO! Estou em crise. 
É normal eu enfrentar minhas semi-crises cotidianas, mas, hoje é maior. Estou em crise total. É que sou devota da intensidade, até para o que não merece. E, minha vida muda de conversa constantemente, me desprende da segurança e gera um infinito de coisas a me preocupar. Sim.
Dá-me licença, me deixa ter prioridade na fila, é que estou em crise.





segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mais Alma

segunda-feira, 28 de junho de 2010
 ...E até pensei em escrever um sólido tratado sobre a dor física. Mas, esta dor, finalmente se foi. E, meu corpo agradecido está tão leve que, de sólido, só possuo o alivio. Ouso até dizer que me tornei mais alma do que era antes...



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Não quero Dormir...

sexta-feira, 25 de junho de 2010
Olhos vidrados. Eu não quero dormir. Não. Não se trata de insônia, nem de energéticos e nem tão pouco de algo psicodelizante. Apenas não quero dormir. Minha mente está finalmente tão clara e lúcida, que não quero me dar ao luxo de dormir e estragar tudo.
A essa hora ninguém me fragmenta.
O que estou a fazer? Nada.
Fico apenas sentindo. Isso mesmo, tentando fazer com que os meus cinco sentidos sensoriais funcionem juntos com a mesma potência cada. E as horas voam assim...


domingo, 20 de junho de 2010

Se Eu fosse Eu...

domingo, 20 de junho de 2010
E no instante que ele me deixou, só uma coisa não saía da minha mente:
_Se eu fosse eu, o que eu faria agora?

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Guerra de Dois

terça-feira, 15 de junho de 2010
Os dois estão sérios. Não, não há sorrisos. Não se perdoam. Compreendem-se? Não.
Não ousaram procurar se entenderem, cada um a si se bastava e erguia a sua bandeira.
Mas, neste conflito de silêncios agressivos, os dois seriam derrotados, não há vencedor, e se veriam secos de amor e raiva. Ambos seriam esmagados, e se serviriam feito escravos.
Se bem que, se fizerem nascer à paixão do ciúme, possam também fazer nascer à morte.
E, o que sobreviver, sem ceder, se acharia vingado. Mas, estaria fadado a ser solitário. Porque Ele só possuía uma inimiga: Ela.
Porque Ela só possuía um inimigo: Ele.
Eles se tinham escolhido para sempre. 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Dor x A Mor

segunda-feira, 14 de junho de 2010
Não sei bem que nome dar ao sentimento que por vezes me toma ou que cruelmente eu estou a tomar. É tão violento que me atemoriza, e abaixo a minha cabeça como se toda a Dor de existir estivesse sobre mim.
(Egocentrismo negativo exacerbado).
É que às vezes quero que cada uma das minhas profundas Dores sejam contrabalanceadas com um grito ao mundo. No entanto, eu conheço minhas dores.
A tristeza é fácil gritá-la, as próprias lágrimas se encarregam disso por mim. Já a Dor, esta me intimida, porque me envergonha. É o que não consegui expor. É o que hoje me violenta e que me obriga a gritar impetuosamente.
Eu ainda não sei domesticar esta Dor, mas já sei que ela é um amor irrealizado, minha Dor, é um amor vivo que foi estupidamente não vivido. E é isso que não perdôo em mim, e como não aceito não conseguir me perdoar, então não quero perdoar os outros.
Sim. Aí está minha vergonha. Não fui amada e por isso não quis mais amar. A este ponto me percebi. Se não possuo a vida, então quero assassiná-la.
A minha Dor, não passa de reivindicação, é a expressão reversa do meu amor.
E aí que me vejo obrigada a escolher entre A Dor e o Amor, entre o orgulho e a doçura.
(Sei que amar é mais devagar, e a Dor me gerou uma necessidade imediata que me consome).

_Oh, Dor, transforma-te em perdão, uma vez que não passas de conseqüência do que um dia foi apenas um não-amor. Suplico-lhe.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Silêncio...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ontem no meio da madrugada, acordei só para ouvir o silêncio.
O silêncio é aquela melodia interna, doce, e por vezes forte, como uma orquestra de percursionistas.
Para mim o silêncio canta, se manifesta.
Assim mesmo, em silêncio...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Na distração virei música....

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Eu escutava distraidamente aquela música, via os dedos dançando, pulando por cima das cordas e nas cordas, e o som era alto, e baixo, suave e forte. Eu não pensava em nada.  Foi aí que percebi que não me encontrava distraída, estava era livremente atenta. Ouvia aquelas melodias, atentamente, sem esforço. Livre. Ouvia tudo, e sem expectativas. Fui notando que estava sentindo a música. A música não era minha, nem para mim, nem sequer eu a queria. Mas, sentia-me completamente satisfeita com o que ouvia. Então, por pura admiração, me sentia a música. Que era o som, as notas e as vibrações invisíveis. Por muito sentir, sem alguma prepotência ou vaidade, eu era a música daquele violão, e seu alcance até as estrelas...

Abelha

Diante do aperto no peito e da irrespirável ventania do que sinto, não só hoje, e não é TPM, não lhe posso provar nada.
O que chamei de pavor, não mais o será se eu resolver de flor, tornar-me abelha, e experimentar.
Nada te posso assegurar.
Eu sou a única garantia de mim.

domingo, 6 de junho de 2010

Tudo colorido

domingo, 6 de junho de 2010
Eu não sou em preto e branco, mas gosto de me fotografar assim. Para imaginar como alguns animais me vêem... (Será que a visão deles é mesmo assim?).
Sei lá.
Sei que sou colorida, com bolinhas vermelhas e pretas. E, me sinto bem assim.
Pra falar a verdade, nunca estive tão bem comigo. Vai perguntar por quê? Não!?
Você não vai querer saber o porquê.
Perguntamos como o outro está por mera educação?!
Ora, estou me colocando no meu lugar. Sim. Sei qual é o meu espaço.
Isso aí até me dá o direito de repetir, pra ficar mais colorido e melhor: Eu sentada no chão do ateliê, rodeada por tintas, de todas as cores, pintando, assim, cheia de gosto pela vida. Colorida. Contente.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Espelhos

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Foi aí que a leveza de outrora passou a se transformar nas constantes dores de tensão. O que era um fácil “sim” se transformou em “não”, quando se tornaram espelhos, e não mais viam um ao outro, apenas se viam. Cada um a si mesmo.

Ela procurava e não enxergava. Ele não percebia que ela não tinha visto. Ela procurando ele, ele pensando ser desvalorizado por ela. Mas ele estava ali e ela também.

E os “sims” se tornaram escassos. Sem contar que havia o frio que pede aconchego. E quanto mais “nãos” ressoavam mais ríspidos se desejavam, com poucos sorrisos.

Tudo isso porque se tornaram espelhos e só queriam se ver refletidos. Só porque críticos e rígidos desejaram ter o que já eram.

Foi aí que perceberam que ninguém telefona para si mesmo, nem tão pouco envia flores para o espelho.

Era preciso parar de ver o reflexo, para conseguir enxergar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Intervalo

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Entre o que se viveu e o que se viverá, em meio as névoas do passado e as do por vir, habita a imensidão do potencial intervalo.
Intocado. Virgem. Misterioso.
Com a mesma essência do silêncio.
A espera de um fim, a expectativa de um recomeço, ou a esperança da transformação.
Tudo isso entre o que foi e a aproximação do que será.
E, na vaguidão potente e limpa do intervalo, nada a se prender, nem mesmo ao temor.
Desvincular-se do já vivido, das coisas velhas e falecidas.
Porque ainda se respira, resolver seguir.
Sair da pausa entre momentos e presenciar a madrugada crescendo.
Não poderia voltar e não queria mais parar, o jeito era seguir.
E foi.
 
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