terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Não é mais expectável...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Não é mais expectável. O vento se cansou de observar, os passos que exprimem tristeza. Desfigurados.
Como o ladrão, que aparece, ou como a hora de acordar, assim acontece a discrepância entre o que se espera, e o que se encontra.
Um descompasso descolorido. Desconexo. Descontente.
Até que o sono chegue, apazigúe outra vez, a dor melancólica que insiste em fazer-se companheira, de noites gélidas e regadas, pelas palavras que ninguém vai ouvir. E, pelo vazio desaprovado, causador de distâncias incalculáveis.
Gota a gota a água cai.
A inundação se aproxima, a ponto de afogar, a reconfortante, esperança.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Reencontro

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Como começar pelo principio, se a história acontece antes de acontecer?
Almas que já se conheciam antes de se conhecerem,
Mãos que se tocaram, desconhecidas.
Incoerências,
Paz e desequilíbrio.
Vazio e plenitude.
Dor e Alivio.
Ele e Ela.
Veloz. Forte. Avassalador...
Talvez fugidio, fugaz, efêmero
Mas, certamente eterno,
Pois as marcas se abstraíram e se
Concretizaram no "para sempre"...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Chuva de Estesia

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A noite dá o seu grito de estesia, como uma ópera ou como chuva e raios. De repente, um uivo erguido para os altos ares, as libélulas enamoradas pela luz...
Enquanto isso eu na cama. Pareço tornar-me cada vez mais eu, como se chegasse a mim mesma.
Quando começo a chover, os finos fios de água, pouco a pouco, lavam-me e regam-me.
A oração era uma maneira de eu chover. Sem palavras e sem telespectadores externos, eu atingia-me. E chovia. E lavava-me. Alcançava a afirmação máxima de que sou nada. Mais do que isso, nada. Afinal, o nada possui o mérito e a semelhança do todo, do pleno. Um jeito de obter é não procurar, um meio de conseguir é o não pedir, e nada precisar. Deixar o silêncio falar. O silencio que acredito em mim é a resposta as minhas interrogações, ao meu mistério. O silencio pra mim é a chuva. Chover é o ápice da minha vida, todas as vidas são uma arte respingada.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Talvez...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Talvez faltem diálogos, talvez existam monólogos em excesso. Talvez faltem regras de convergência ou transbordem regras e obrigações. Ou ainda, talvez o que está em extinção é o respeito. Às vezes sobra respeito a terceiros e falte com as pessoas de baixo do mesmo teto. Talvez se precise é de compreensão. Compreensão de si mesmo e do outro. Pode ser também que o orgulho tenha cegado os nossos olhos. Ou, pode ser que enxerguemos demais os erros dos outros e esquecemos ou fingimos esquecer, os nossos. Talvez os conflitos constantes sejam frutos de ciúmes, invejas e comparações. Talvez se idealizem pessoas distantes, e se desperdicem as mais próximas. Talvez se tenha medo de demonstrar o que é. Talvez pegar o do outro seja mais fácil do que conquistar o próprio. Talvez seja necessário largar mão do próprio e dividi-lo com todos. Talvez existam privacidades em demasia ou em escassez. Talvez o que falte é gratidão. Talvez se confunda sobreviver com viver. Talvez se espere muito o palpável, o perecível e se esqueça ou desvalorize o invisível. Talvez a gula mate de fome seu irmão. Talvez o que te sobra é justamente o que sua mãe precisa. Talvez falte integridade, falte confiança, falte lealdade. Falte abertura. Falte credibilidade. Sobrem rótulos.





Ainda que o conhecimento científico, na atualidade, tornou-se essencial para as nossas vidas, a maioria das informações que carecemos nos dias de hoje, não são obtidas através de estudos sistematizados, e sim do conhecimento decorrente do “totalmente comum”, ou do intitulado “senso comum”.

Embora seja fato a relevância da ciência, percebe-se o quão valorizado é o papel de outras formas de conhecimento, como por exemplo, o religioso e o filosófico.

Todos os atos e devaneios humanos são direcionados a satisfazer necessidades dos seres, e claro, atrair alivio para as suas mazelas. Como a ciência não é possuidora de uma verdade absoluta, o homem necessita de inventar divindades relacionadas a ele mesmo.

Percebe-se na bíblia, por exemplo, a invenção de um deus provedor, poderoso, às vezes bem malvado, mas, que ama, socorre e também recompensa, castiga e que é infalível e imortal. Assim, o conhecimento religioso ganha credibilidade e poder, justamente por conseguir responder indagações, que satisfazem às necessidades dos seres, e que estão muito além do alcance científico.

Penso que, a ciência, com todo o seu sistema e metodologias, não é viável sem uma espécie de religiosidade. O alicerce de um cientista é a tentativa de encontrar os regimentos mais rudimentares generalizados, para assim, conseguir uma linha lógica para explicar o mundo. No entanto, para alcançar leis rudimentares só nos resta a intuição. Ou seja, a percepção clara de verdades sem intermediações do raciocínio ou intelecto. Impossível?

O próprio empirismo é também dependente da percepção. Talvez seja justamente este ponto, o seu limite. Como aplicar a percepção geral em categorias como a de dores, ou de sentimentos? Um observador não conseguirá perceber da mesma forma que a pessoa passiva da dor ou do sentimento de algo. O sentir algo, não é uma questão que se pode colocar em um tubo de ensaio ou ser metodicamente, mensurado. É quesito de crença.

Indignação...


Pra que viver? Será o viver eterno? Um ciclo sem fim? Será algo imutável?

Até quando ficar nesta insipiência? E dormir e acordar...

Escolher entre bem e mal? Ser ridiculamente bom... Pra que?

Não quero me iludir com mentiras.

Não quero taças de achismos e sentir ressacas de inverdades.

Sou uma folha em meio à correnteza.

Uma gota que insiste em ser folha.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A mente novamente interroga o questionamento mais ordinário que existe: “Quem eu sou?”. Quem está vivo sabe, até sem perceber que sabe. Sabe mais do que imagina saber, e finge de bobo pra sobreviver.

Puxa! Depois de meio segundo pensando, percebo que sou comum, com nome estranho. Eu durmo, evacuo (às vezes), sorrio, choro, converso, sou registrada em cartório e ando vestida. Totalmente comum. E, não sou excepcional e nem tenho inteligência acima da média (mal sei o que é inteligência), não sou poliglota, não sei cantar (ate tento) e não escovo o dente após todas as refeições.

Assim como todos que vivem, morrerei tão cedo ou tarde...

Sei que quando ando por aí, olhando mansões e favelas, poluição e natureza, eu percebo e quase grito que amo isso aqui. Pode ser reflexo da minha mediocridade normal, ainda assim eu amo. Mas, a vida e sua incógnita, sim, me ultrapassam. Viver não é lógico. É uma realidade acorrentada ao infinito. Intocável.

 
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