quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paradoxos constantes da minha inconstância.

quarta-feira, 30 de junho de 2010
Não!


Quanta confiança na desconfiança.
Tornar-se seguro mediante a insegurança.
Quanta morte com aparência de vida.
Obrigar-se voluntariamente a tolerar a intolerância.
Atrair-se pela distração.
E as liberdades aprisionadas,
O infinito encaixado no finito (...).
Quanta crença naquilo que não se acredita,
E até para se esquecer,
É necessário lembrar.
Saber justamente o que menos se sabe,
As poucas instruções se tornam grandes.
Quanto mais se fala, menos se ouve.
Cada dia crescem os gritos mudos,
E os olhares de cegos.
(E dizem que para se ver é imprescindível fechar os olhos.)
O que mais se conhece é a existência do desconhecido.
O que se pensa ser cheio é composto de vazio.


Mesmo assim, ter de continuar parada a caminhar, por esse ordenado precipício da desordem...


E menos x menos resulta em mais, no entanto, mais x mais não resulta em menos.
Quanto mais se almeja por simplicidade,
Mais complicado se torna.
E os rostos risonhos, choramingam “que o que querem não fazem, e o que fazem não querem”.
Um compasso descompassado.
Desespera-se por medo de se perder o que nunca se teve.
Quanta cobrança a cerca do que se recebe gratuitamente.
Deseja-se explicar o caminho, exatamente pelo não-caminho.
A utilidade se demonstra inútil.
A relatividade é absoluta.


E é totalmente comum ser parcialmente diferente.


Quanto mais frio, mais procuramos o quente.
Quanto mais rodeado por multidões, mais solitários.
(E dizem que é bonito dar, e feio esperar receber).
O presente é constituído de passados e futuros que já se destituíram.
As pessoas que mais nos observam,
São as que menos querem nos observar.
E diz-se adeus, quando quer, por tudo, ficar.
Quantas vezes nos acomodamos com o incômodo.


E por que o “diabo” anda de mãos dadas com “Deus”?


Ainda se assustam quando digo que não sei viver,
E que devoro o miolo pelas bordas.
É que preciso do meu contraponto.
Mas, mal sei respirar,
Quem dirá inspirar...
E para encontrá-lo é preciso perdê-lo. 
E para perdê-lo é preciso tê-lo.
E eu nem se quer tenho a mim.


                                                                                  
E assim eu fico,
Mas vou.


Sim!




terça-feira, 29 de junho de 2010

Desumanizar

terça-feira, 29 de junho de 2010


As coisas estão tornando-se cada vez mais humanas.
Fui a um teatro de objetos, e quase me misturei com eles. Pareciam dotados de liberdade, como se conseguissem ultrapassar o “estar” e se transformassem em “ser”.
Já o ser humano fica numa paradoxal busca em se tornar ainda mais humano, enquanto torna-se aos poucos, cada vez mais objeto.
Eu quero mesmo é desumanizar!
A vingança, o rancor, o orgulho, o desperdício, a inveja (...) são sentimentos "demasiados humanos".
Por isso (e muito mais) é que pretendo morrer bem desumanizada.
O máximo possível.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mais Alma

segunda-feira, 28 de junho de 2010
 ...E até pensei em escrever um sólido tratado sobre a dor física. Mas, esta dor, finalmente se foi. E, meu corpo agradecido está tão leve que, de sólido, só possuo o alivio. Ouso até dizer que me tornei mais alma do que era antes...



domingo, 27 de junho de 2010

Balas Mastigáveis

domingo, 27 de junho de 2010
Se eu ganhasse um milhão?
Gastaria tudo em balas mastigáveis.
Eu as amo, e nem preciso de disfarces para com elas.




Não dou conta de mim

Acontece de às vezes me olhar ao espelho e procurar perceber o movimento que o tempo provoca em mim. Não. Não ando atrás de rugas, até porque isso só me causaria mais delas. Trata-se da procura pelo instante que estou a mudar.
É que a mudança às vezes é tão lenta (ao mesmo tempo tão rápida). E estamos tão habituados a nos vermos, religiosamente, que o instante da mudança é imperceptível. Claro que notamos quando nos ocorrem algumas aberrações. Quem nunca acordou com o olho super inchado, ou assustou-se ao perceber o nascimento de perebas alienígenas? 
Mas, as mudanças graduais e rotineiras, só as percebo claramente quando comparo fotos. Isso é comum. 
Ainda me impressiono como é que eu, me vigiando todo dia, não dou conta de mim?



sábado, 26 de junho de 2010

Sobre as lagartas e Eu: Meu lado Violento.

sábado, 26 de junho de 2010
É! Pode ser que eu tenha de aceitar que eu deseje a morte das lagartas. Sim! De todas. Um extermínio em massa. Pois é.
Acho que sou frágil e cortês apenas por não ter realizado a minha potencial criminalidade...
Eu que nem me conheço por inteiro, e nem sei do que sou capaz, estava querendo que uma lagarta não me escandalizasse. E, se me escandaliza, prefiro o assassinato frio delas, a hipótese de vê-las.
Eu, ser insensível a extinção delas e exageradamente sensível a mera existência das mesmas...


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Nem Copa, Nem Cozinha...

sexta-feira, 25 de junho de 2010
E após muito se falar sobre a Copa. Resolvi falar sobre a Cozinha. É que ontem fui cortar umas batatas e acabei cortando a mão. Respirei fundo, e calmamente despertei o meu lado, quase morto ou recém-nascido, de cirurgiã. Isso mesmo. Sem pestanejar peguei o pedaço da pele que tentou, inutilmente, se libertar de mim, e recoloquei-o em seu devido lugar. A minha agilidade até me espantou. Antes mesmo de o sangue aparecer, a pele lá estava, encaixadinha. Coladinha. Segundos depois, o sangue subiu tentando arruinar o meu repentino ato cirúrgico. “Vermelho tolo, você não é pálio para mim”. É claro que, toda inchada e orgulhosa de mim, mostrei a cola do retalho para o Ciço. Fui até condecorada... Mas, “de repente, não mais que de repente”, quando vou dar a conferida referente ao minuto presente (até rimou)... Para o meu espanto, o lacre havia sido violado. A tampa levantada. A ferida aberta. É! “E agora José?”. O fato é que “não sei se fico, não sei se passo”. Não vou saber mais viver enquanto não optar entre arrancar a pele velha e deixar que a outra nasça, ou tentar, mais uma vez, a cirurgia arriscada, a famosa “operação tapa buraco”... Compreendem?
Não há como e nem porque de, eu continuar a respirar se a urgência da resposta não for sanada. Ferida aberta, é frágil, dói, mas é potencialmente a vida se aperfeiçoando, se obrigando a nascer outra vez.
No entanto, o que eu faço com minha urgência? Com esta sede desértica que se satisfaz com a ilusão da pele velha? Pele esta, que é aparentemente viva, mas potencialmente morta... E o que Sou, além disto?
Chega nestas horas madrugais, que não quero dormir, mas o sono me vence, é que assumo meu real tom de voz. Só me escuto no silêncio. Leia-se, meu silêncio. Por isso adoro esse ar hermético madrugal, a espreita da manhã. Compreende?
Não faz Sentido?
O Sentido sou eu.
O Sentido é você quem lê. 
 
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