Gosto de alguns velhos hábitos, recheados de minúsculos gestos, e, de vestes surradas que me permitam algum conforto. Não sei ser senão o que sou, com algum acréscimo, incômodo, de máscaras que enfeitam o presépio natalino.
Está chovendo e o céu azul. E se ganha presentes e se dá presentes, e as ruas fedem a carne requentada. Carne cozida, assada, frita, picada, inteira, triturada... Os fiéis se assam e se comem, ritual selvagem.
E as pessoas morrem. Sinto muito, mas se vive e se morre. No natal ou no não-natal. E se chora. E se pega qualquer um pra cristo. E aliviam-se as palavras não-ditas com sorrisos vazios e com remédios. Rápido. Pragmático.
A necessidade de gostar. A necessidade da necessidade. Do mesmo modo, o desejo de particularizar Deus. Deus humanizado, aniversariante, convenientemente considerado justo. Não Deus.
Sair à Rua. Assistir pessoas. Fora isso, segredo. Anotar as sensações das sombras...
Flores sobre o túmulo.
Multidão de pés. Imaginar as vozes dos rostos e o que os fariam gritar.
Deixar existir também o silêncio. O único silêncio.
Aonde leva a loucura, a loucura.
Retornar ao corpo.
E é domingo. A madrugada velada. O enterro do sábado.
É domingo e chove e ontem o coração dele parou...
Mas é domingo e ele não ressurgiu.